sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lição de Jardim


Olá pessoas queridas,
Segue aqui uma partilha muuuito especial sobre experiência que tive recentemente com crianças de 3 a 6 anos.

Contexto: fiz uma semana de estágio numa escola aqui de BH chamada Pólen (da Pedagogia Waldorf). 
Em essência, num Jardim de Infância Waldorf,  as crianças tem um ritmo diário de atividades para formarem hábitos saudáveis e desenvolverem-se plenamente. 
O maior tempo é dedicado para brincarem livremente (dentro e fora de sala, em contato com a Natureza).
 E nesse brincar livre, sob o olhar atento e amoroso das educadoras, elas desenvolvem todo seu potencial, como: 
imaginação, potencial criativo, relações uns com os outros, com todas as nuances de uma amizade verdadeira: 
afeto, conversas, invenção de brincadeiras, e também conflitos, intrigas e suas soluções.

Quero relatar duas experiências que muito me ensinaram. No Jardim Waldorf prevalece sempre a alegria e a liberdade para a criança ser criança.
Mas ambas experiências têm a ver com algo não tão alegre, mas bem comum nessa idade: uma criança machucar a outra,
seja com objetos ou com pequenas agressões físicas.

(Obs. Usarei nomes fictícios para não expor ninguém)

A primeira foi quando Vitor(6 anos) deu um forte soco nas costas de Gabriel (5 anos), e este começou a chorar.
Na mesma hora a profa chegou perto (na minha cabeça a intervenção seria aquela básica:
“Vitor pede desculpa pro coleguinha. E Gabriel, pára de chorar que nem doeu tanto assim, vai passar logo”),
mas foi um pouco diferente:

Profa. (brava e amorosa) - “Vitor, muito feio o que você fez! E Gabriel pode chorar,
e chora muito, 
e bem alto porque deve estar doendo bastante”.

E ela pôs o Vitor pra ficar perto, assistindo o choro do Gabriel.
A pancada de fato foi forte. Mas passou 1 minuto, e Gabriel naturalmente parou de chorar.
E Vitor, envergonhado, pediu desculpas.

Na segunda cena, Carlinho (4 anos) pegou o cabelo de Luana (6 anos) e puxou muuuito forte. Ela desabou a chorar.
A Professora chegou perto e, sem motivo aparente, Carlinho também abriu o berreiro.
A sala, que tinha criança brincando em vários cantos, parou para olhar pra cena.
A professora, em silêncio, pegou firme os 2 pelo braço, levou-os até a porta e disse:
“Vão os dois lá pra fora, e só podem voltar depois que terminarem de chorar”. 
Eu, que estava de observador (e aprendiz), resolvi me esconder e ficar observando as duas crianças.
A situação parecia grave, não era a primeira vez que acontecia aquele conflito. O puxão, eu vi, foi muito forte,
o choro dos dois estava bem alto, daqueles que duram muito tempo pra acabar. E um bem perto do outro, com aquele clima de inimigos.
Pensei: “Ih, dessa vez vai levar uma semana para fazerem as pazes”. Devagarinho, uns 2 minutos, o choro foi cessando,
cada um enxugando as próprias lágrimas com a manga da camisa. Aí pensei: “Agora cada um volta pra sala, senta longe do outro e pronto”. 
Nada disso, devagarinho, com muito carinho, Luana (que era mais alta) ficou de frente pro Carlinho,
colocou seus dois braços nos ombros dele e falou, bem baixinho: “O Carlinho, não precisa fazer assim comigo, eu brinco com você também”. 
Ele, meio envergonhado, olhar pra baixo e com bico grande: “Tá bom, diculpa”... 
e em silencio se deram-se um abraço... e voltaram de mãos dadas para a sala.

Olha, confesso que dessa vez, eu que chorei... era uma mistura de ternura, gratidão por presenciar aquilo
e também de vergonha (acho que por ser adulto).
Tocou fundo em mim a honestidade daquelas crianças em chorarem (porque quando dói a gente chora mesmo, oras) e,
com a mesma naturalidade, se perdoarem (porque quando é amigo, a gente perdoa mesmo).

Depois fui falar com a professora, sobre os dois casos, dizendo o quanto foi libertador pra mim ouvir dela:
“Pode chorar, e bem alto, porque tá doendo”. Ela sorriu, e acrescentou:
“E é fundamental a criança que machucou ouvir o choro da outra, bem de perto... 
é assim que elas conseguem reconhecer a dor, e aprendem a não machucar”

E foi isso, ou É isso...
Grato, infinitamente, por essas professoras (a grande e as pequenas),
e também pela escuta do coração de vocês.

Que todas as crianças tenham o direito de chorar (inclusive as nossas...

-- 
 
 Nuno Arcanjo

sábado, 4 de agosto de 2012

LIÇÃO do MESTRE CORAÇÃO (dia dos enAMORados)

O que o coração sente quando está preenchido? - Perguntou o mestre ao discípulo. O discípulo, meio assustado com uma pergunta dessas, e ainda mais vinda de seu mestre, re-perguntou: Preenchido de que, mestre? Ora, na verdade quero saber como é estar preenchido de cada coisa de Deus: o amor, a alegria, a paz. Mas mestre, o senhor é quem sabe. Como poderei eu responder coisa tão alta? O mestre então explicou: Pois saiba que o jeito que mais gosto de ensinar é perguntando e ouvindo a resposta aparecendo no outro, exatamente como o outro responde, como é! Vamos simplificar, por exemplo, como é estar preenchido pela presença de outro alguém a quem se ama? Sim! Gratidão mestre...  agora sinto-me à vontade para colocar em movimento as ideias de meu coração, e responder a você, caro mestre, a você, caro leitor... afinal leitor, leitura, mestre e discípulo, tudo se torna Um Só... dentro da sabedoria do coração. Lá vou eu... Ou melhor, AQUI vou eu... o senhor me ensinou a partir sempre dAqui desse presente onde me encontro. E é dAqui mesmo que eu direi o que sinto sobre isso. E digo, com amor e com humor, que sinto muito... É verdade, SINTO MUITO mesmo... mas MUITO... porque justamente nesse momento estou com MUITO desse Sentimento em mim. Ser preenchido pela presença de outro alguém... no fundo, bem no fundo é ter um espelho carinhoso por perto, que te mostra você mesmo... e mostra você mesmo no que temos de mais precioso: as nossas verdades e as nossas mentiras. . . Mentira, c a l m a, isso é coisa tranquila: Mentira é só uma verdade que ainda não aconteceu.   (cada um explique-se, em silencio por favor, sobre como entendeu isso aí...) Mas... a verdade desse espelho carinhoso por perto é também um jeito de proteger o coração. Porque coração foi feito pra duas coisas : para dar amor, e para dar perdão... ...o coração nasceu aprendendo a dar... e se há alguém por perto para se fazer isso (entre muitas, profanas-sagradas outras coisas, claro... ) esse alguém, se é do Bem, além de rimar bonitinho, também costuma saber melhor sobre o poder do carinho. É incrível o poder do carinho, ele derrama um amor tão quentinho no coração e na auto-estima da gente, que tudo, assim de repente, fica mais quente... o amor é um forno de carinho E engraçado que, mesmo assim, ele ainda queima. Quando a gente teima em insistir na oferta carente... o carinho acaba queimando a gente. Queimando, engraçado, queimando pela falta, e não pela abundância. Porque carência é bom quando ajuda a dar mais verdade macia para o coração do outro, que pode estar áspero de medo e outras gosmas do ego... olha só veio mais uma brincadeira: Égo...sssma que não acaba mais. Ô cidadão que gosta duma gosma . . . e elas grudam, prendem, e muitas não aprendem. Mas, há pessoas que aprendem a dissolver as gosmas todas com o solvente do amor... o amor é o maior solvente, ele disssssolve tudo... ... mas TUDO, TUDO, TUDO... Até úlcera no estômago de uma unha encravada, melhora na hora, quando o amor vem e fica um tempo ali, curando, dissolvendo, acalmando o lugar machucado. O amor cura até lugares desconhecidos, daqueles que só Deus conhece. A gente até pensa que sabe... mas Deusconhece... Por exemplo: o amor presente e fluindo em mim está curando um lugar de ansiedade e as vezes até confusão entre amizades sinceras, bonitas e profundas e também a carência do carinho (camuflado pela busca por prazer duradouro...). Comecei a olhar para amigas com mais tranquilidade, profundidade e, o mais incrível, até mesmo mais intimidade... na medida em que eu estou com uma flor no coração. Amar é ter uma flor no coração. E cuidar dela como se fosse a rosa mais preciosa que já nasceu e cresceu na face delicada da nossa terna... e interna terra. (Gosto de deixar as palavras brincarem um pouco, mesmo que mude o rumo da prosa, elas costumam trazer mais poesia para a mente brincar... e se abrir...) ...mas voltando à nossa Rosa. Estou aprendendo a cuidar como se fosse realmente a mais preciosa, Dei até certa Sorte, pois ela já chegou GRACIosa... Trouxe no nome a semente da Gratidão. A Gratidão é uma Divina semente. Especialmente a GRATA por DEUS... (esse é o nome de seu nome: Garci’Elle    "A Grata por Deus") Então tenho por perto um espelho que revela a Gratidão Divina... Que traz a VIDA, a força da VIDA... aquela força que cada um tem a sua maneira de manifestar. Esta vem pela GRATIDÂO... ... e Saber agradecer... é um saber tão essencial quanto o saber ouvir... e escutar. (que aprendo tanto com ela!) Agradecer o sol que te acordou, a água que te banha o corpo e sacia a sede, o sabor das coisas que tua fome te pede a comer... (vez em quando dá fome de escrever, e eu começo a comer o tempo através das palavras... e o tempo passa, e as palavras me aliviam esse sofrimento) engraçado que é não saber sobre o amanhã... porque se agente soubesse, não sofria, mas também não teria a alegria de não saber... Não saber é um jeito bonito de Ser... (pra quem tem Fé e acolhe o amor) Ser o que vai acontecendo, acon Tecendo no coração da gente. No meu está acontecendo uma revolução ... uma revolução si len ci osa... ...feito É o perfume da Rosa... Lembrei de poesia, que veio junto com o gesto de uma flor... “O silêncio perfumado da Rosa é maior que o melhor poeta Seja em verso, ou em prosa”  Ela foi... Mas voltou. A Rosa voltou... ... e continua no lugar dela, Bem aconchegada... no calor do meu pedaço de amor... que trago no peito. Graciosa rosa . . . Silenciosa, Eu amo vocÊu. -------


 Depois que falou... o discíplulo, o mestre e o leitor silenciaram juntos. um tempo necessário, Para que o coração e a mente dos três acolhessem o silencioso presente por traz daquelas palavras . . . E assim aconteceu. e continua... ...tecendo...

 nuno ar(anjo (hoje, dia dos enAMORados, 2 mil e doce)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Amor com biscoito

(essa é minha primeira crônica...)

Toda segunda é dia de feira. Ela chega em sua motoca, silêncio ainda, a escola em aula e a natureza lá fora envolve com árvores o pátio dos carros. A barraquinha, simples, carinhosa, feita com madeira local, fica num canto, escondida do barulho, esperando a freguesia para conhecer novidades gostosas de ver e comer.
Naquele dia, visita. Um amigo diferente, colorido... de saudade, palavras guardadas e silêncios.
Ela chegou, ele já lá estava, no cantinho da barraca, esperando a amiga colorida... de biscoitos, geleias e curiosidade.
Chegaram pelo olhar (feito sempre é), depois, abraço longo, saudade guardada.
Arrumaram o espaço, biscoitos, geleias, melado e manteiga – sem pão, faltou o danado!
Ainda arrumando, chegaram as primeiras professoras-freguesas. O amigo conhecia, apresentou e facilitou as vendas: poucas e boas.
- Que bom você atrair freguesia, disse grata.
Ele sorriu
Foi, talvez, a introdução da conversa.
Então, sentados na barraquinha pronta, pronto! Começaram pelas fotos. Sim, imagens dizem mais que palavras. Fato e feito, o álbum levou-os para dentro, sentido e sentimento daquele encontro. Depois, seguiu-se a palavra. A primeira foi: amor...
(parêntese, dizem os bons músicos que a música inteira está contida na primeira nota). As palavras seguintes, soaram no tom da primeira. Variações de volume, velocidade e intensidade.
Movimentos na emoção, pausas, silêncio... como em toda canção regida pelo peito. A pulsação do maestro manteve-se presente, frágil e forte – como é sua natureza.
Mas, tocando paralelo, ou junto a essa música, a outra, a do trabalho. A moça, mesmo tocada, fazia pausas para atender a freguesia. E era bonito ver... atendia calma, presente e afetuosa - como é de costume ser. Bonito também era o jeito de atender, explicava o biscoito com a receita detalhada e carinhosa, mais acolhia que vendia. Talvez por isso vendeu bem, a pessoa levava o biscoito com recheio de afeto (pena que carinho não aumenta preço, ficaria rica!).
É bonito ver pessoa fazendo o que gosta, fica mais gostoso o olhar, o ouvir, os sentidos celebram.

O amigo ficou meio sentido no começo “Ih, lá vem o freguês interromper o meu fluxo, dividir comigo a atenção da moça”. Mas aí veio um, dois, no terceiro freguês o amigo relaxou de vez, compreendeu que trabalho é tão valioso quanto sua palavra de amor. Percebeu que tudo é junto, o que divide, mente. Verdade é que a música é uma só. Trabalho e amor são duas notas principais da sinfonia vida.
O amigo, ao relaxar, aprendeu a dançar... ainda no tom da primeira nota, seguiu o seu caminho.
Devagar, a música continuou tocar, dentro, intuição, compreensão, coração.
O amigo então, escreveu pra amiga, querente de partilhar o que sente: tudo está no lugar!
E fica ainda mais bonito quando o coração tem espaço para trabalhar, seja com biscoito, pão ou poesia. Todo trabalho com amor, aumenta de valor.
Segunda é dia de feira.
E todo dia, pode ter poesia, se o espaço pro amor está aberto...
Gratidão, por esse biscoito tão carinhoso

o amigo
( ar(anjo - abriu, 2 mil e doce)

sexta-feira, 30 de março de 2012

. . .n a d a m a r . . .

É nos momentos de tormenta que podemos melhor entregar ao nadamar...

frágeis, humanos, perdidos na força das ondas... ficamos

sem saber onde vamos,
onde estamos,
sem saber...

serenidade é a entrega

o próximo passo, não sou eu quem faço


Eu sou...



...e a Vida...



é isso aqui!

terça-feira, 13 de março de 2012

2 mil é doce

Então, esse ano tão famoso começou,
tâmo jah nas "águas de março fechando o verão"
e aí, o que que vai acontecer de diferente?

Algo me diz que Jah Tá AconTecendo
(só que é dentro da gente)

Aliás, sempre aconTece

a teia não pára, Tece sempre ...

Mas, falando de algo mais concreto, percebo 2mil e doze, como uma ano mais sutil.
Eis aqui uma boa contra-Adição pragente prestar atenção.

Afora os tsunamis e terremotos de chuva,calor,passeata,crise e dor
Adentro tem mais amor ...

E isso é ao mesmo tempo concreto e sutil.
Há um tempo acelerado do lado de fora, e por dentro, pára um pouquinho e percebe,
o tempo tá mais... leve, mais "mole", ou mais "doce"
Taí... o ano chama "2 mil e doce".

Parece só mais uma brincadeira de Poeta, mas néNão.
É feito transmissão de rádio, a gente acerta a frequencia e capta a programação.
E algo bem firme e sereno me diz que quem está captando doçura, está na frequencia da verdade. Mas "que verdade", pergunta a mente. Ora ...
Ora ...
Ora, ora, ora e ora ... que uma hora ocê melhora.

Orar é uma conversa interna com a verdade de cada um.
Se é com Deus que a gente fala quando ora, pode ser e pode não ser ...
depende que'oras são

se for hora futura ("Ai meu Deus, como será dia de amanhã?!!")
aí é com o diabo da imaginação (danado esse diabo : sempre medroso ou esperançoso,
nunca decide onde fica)

mas se for hora-agora

aí a oração vira orAção

Agir é um jeito bom de sentir a Vida aconTecendo

Engraçado, quase tudo que eu escreVejo, sempre começa e termina no tal do Presente.
(Parece até que ele é patrocinador... da minha palavrAmor)

Tem hora que Chega a ser chato, de tão legal.

Mas voltando a 2 mil e...
...Doce presente que estamos vivendo. Pergunte pra sua mente o que vai acontecer...
a resposta varia entre:
vai piorar
vai melhorar e
"Não Sei!"

Pois... não saber é uma porta para "o" saber.


Sei que eu Não sei ...
mas Deusconfio!


esse é o tema
esse é o lema!

AHO 2mil e doce!