quarta-feira, 18 de abril de 2012

Amor com biscoito

(essa é minha primeira crônica...)

Toda segunda é dia de feira. Ela chega em sua motoca, silêncio ainda, a escola em aula e a natureza lá fora envolve com árvores o pátio dos carros. A barraquinha, simples, carinhosa, feita com madeira local, fica num canto, escondida do barulho, esperando a freguesia para conhecer novidades gostosas de ver e comer.
Naquele dia, visita. Um amigo diferente, colorido... de saudade, palavras guardadas e silêncios.
Ela chegou, ele já lá estava, no cantinho da barraca, esperando a amiga colorida... de biscoitos, geleias e curiosidade.
Chegaram pelo olhar (feito sempre é), depois, abraço longo, saudade guardada.
Arrumaram o espaço, biscoitos, geleias, melado e manteiga – sem pão, faltou o danado!
Ainda arrumando, chegaram as primeiras professoras-freguesas. O amigo conhecia, apresentou e facilitou as vendas: poucas e boas.
- Que bom você atrair freguesia, disse grata.
Ele sorriu
Foi, talvez, a introdução da conversa.
Então, sentados na barraquinha pronta, pronto! Começaram pelas fotos. Sim, imagens dizem mais que palavras. Fato e feito, o álbum levou-os para dentro, sentido e sentimento daquele encontro. Depois, seguiu-se a palavra. A primeira foi: amor...
(parêntese, dizem os bons músicos que a música inteira está contida na primeira nota). As palavras seguintes, soaram no tom da primeira. Variações de volume, velocidade e intensidade.
Movimentos na emoção, pausas, silêncio... como em toda canção regida pelo peito. A pulsação do maestro manteve-se presente, frágil e forte – como é sua natureza.
Mas, tocando paralelo, ou junto a essa música, a outra, a do trabalho. A moça, mesmo tocada, fazia pausas para atender a freguesia. E era bonito ver... atendia calma, presente e afetuosa - como é de costume ser. Bonito também era o jeito de atender, explicava o biscoito com a receita detalhada e carinhosa, mais acolhia que vendia. Talvez por isso vendeu bem, a pessoa levava o biscoito com recheio de afeto (pena que carinho não aumenta preço, ficaria rica!).
É bonito ver pessoa fazendo o que gosta, fica mais gostoso o olhar, o ouvir, os sentidos celebram.

O amigo ficou meio sentido no começo “Ih, lá vem o freguês interromper o meu fluxo, dividir comigo a atenção da moça”. Mas aí veio um, dois, no terceiro freguês o amigo relaxou de vez, compreendeu que trabalho é tão valioso quanto sua palavra de amor. Percebeu que tudo é junto, o que divide, mente. Verdade é que a música é uma só. Trabalho e amor são duas notas principais da sinfonia vida.
O amigo, ao relaxar, aprendeu a dançar... ainda no tom da primeira nota, seguiu o seu caminho.
Devagar, a música continuou tocar, dentro, intuição, compreensão, coração.
O amigo então, escreveu pra amiga, querente de partilhar o que sente: tudo está no lugar!
E fica ainda mais bonito quando o coração tem espaço para trabalhar, seja com biscoito, pão ou poesia. Todo trabalho com amor, aumenta de valor.
Segunda é dia de feira.
E todo dia, pode ter poesia, se o espaço pro amor está aberto...
Gratidão, por esse biscoito tão carinhoso

o amigo
( ar(anjo - abriu, 2 mil e doce)